Publicado por: tripnoronha | julho 3, 2011

Peixe-leão deve chegar ao Brasil em breve.

Foz do Rio Amazonas seria o único obstáculo, onde o fluxo de água doce e sedimentos mar adentro formam uma barreira natural ao trânsito de espécies

Lion Fish fotografado em Curaçao em Abril de 2011.

Lion Fish fotografado em Curaçao em Abril de 2011.

Herton Escobar (http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,peixe-leao-deve-chegar-ao-brasil-em-breve,736909,0.htm)

O Brasil que se prepare. O peixe-leão já chegou à Colômbia, à Venezuela, e, segundo especialistas, não deve demorar muito para invadir também a costa brasileira. Talvez já em 2012. “Dada a velocidade com que ele se espalhou pelo Caribe, é possível que chegue ao Brasil em questão de meses”, alerta Mark Hixon, pesquisador da Oregon State University, nos Estados Unidos.

O único fator ambiental que parece limitar a distribuição geográfica do peixe-leão no Atlântico é a temperatura da água, com uma tolerância que vai até 11 graus Celsius. Nesse caso, não há nada que impeça sua proliferação pela costa brasileira, do Amapá até o Rio Grande do Sul, já que as águas nacionais estão todas acima dessa temperatura. “Acreditamos que a distribuição final se estenderá até a costa da Argentina”, afirma Jim Morris, especialista em espécies invasoras da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), também dos Estados Unidos.

A única possível lombada no caminho da invasão total seria a foz do Rio Amazonas, onde o fluxo de água doce e sedimentos mar adentro formam uma barreira natural ao trânsito de espécies entre o Caribe e o Atlântico Sul. Hixon e Morris acreditam que o peixe-leão conseguirá transpô-la sem maiores dificuldades, considerando que a espécie já foi vista em ambientes de água salobra, como mangues e estuários. Resultados preliminares de uma pesquisa em andamento, porém, lançam uma dúvida positiva sobre isso.

Segundo a pesquisadora Elizabeth Sbrocco, da Universidade de Boston, que realiza o estudo sob a orientação do professor Paul Barber, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, há indícios de que a distribuição do peixe-leão seja limitada também pela salinidade da água, e não apenas pela temperatura. Nesse caso, diz ela, o estuário do Amazonas poderia ser, sim, uma barreira eficiente contra o avanço do peixe-leão, associado ao fato de que as correntes oceânicas presentes acima da foz fluem para o norte, dificultando o transporte de larvas para o sul do país.

Lion Fish fotografado em Curaçao em Abril de 2011.

Lion Fish fotografado em Curaçao em Abril de 2011.

Os resultados da pesquisa deverão ser submetidos para publicação no mês que vem (julho), como parte do projeto de doutorado de Elizabeth.

Segundo os pesquisadores, o Brasil não tem como evitar a chegada do peixe-leão. Mas pode minimizar os impactos da invasão se já estiver preparado para lidar com o problema quando ele chegar. A melhor defesa, segundo eles, é a manutenção de ecossistemas saudáveis, com abundância de espécies nativas que possam competir com o peixe-leão ou até se alimentar dele, impedindo que a espécie domine completamente o ambiente marinho. Considerando que o Brasil tem, naturalmente, uma biodiversidade marinha muito menor do que a do Caribe, o impacto ecológico do peixe-leão nos ecossistemas brasileiros poderá ser ainda mais grave, comparativamente, caso a espécie se torne abundante em águas nacionais.

“Temos de esperar para ver o que vai acontecer”, resume Jim Morris.


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